domingo, 28 de maio de 2017

Beijos e outras coisas mais



A troca de beijos entre duas alunas, numa escola de Vagos, tem feito correr muita tinta. Contudo, creio que se tem enfatizado em demasia a eventual reação homofóbica da direção (que não nego, porque não tenho conhecimento suficiente), em detrimento da verdadeira questão: deve ou não deve ser autorizado este tipo de comportamentos no recinto escolar (entre rapazes, entre raparigas ou entre rapazes e raparigas)?
Não sei se vou parecer demasiado retrógrado aos olhos de muita gente modernaça, mas vou afirmá-lo com todas as letras bem visíveis: NÃO! Na minha maneira de ver, há muito que as escolas perderam o Norte, há muito que não há limites claros para nada: ninguém sabe muito bem o que pode ou não pode ser feito, ninguém sabe muito bem o que pode ou não pode ser dito. Uns são a favor disto, outros acham que se deve tolerar aquilo, outros não acham nada e concordam com o que der menos problemas, outros assobiam para o lado, para não serem insultados ou agredidos… Grosso modo, as escolas estão a transformar-se numa rebaldaria no que toca a atitudes e valores, o que é (afirmo-o com todas as letras) resultado direto da criminosa desautorização dos professores, que tem sido consumada pela seguinte tríade: Ministério da Educação, diretores, pais e encarregados de educação. É claro que não isento de culpas os professores, que não têm sabido ocupar e manter-se no seu legítimo lugar. Quanto mais tarde o fizerem (se o fizerem) mais e mais gravemente desrespeitados serão.
Face a esta onda de demissões e de desautorizações, os alunos vão fazendo o que lhes dá na gana, instituindo os seus próprios códigos, conquistando “direitos” (que são tortos), invadindo espaços (físicos e psicológicos): jogam à bola nos corredores (muitas vezes, com pacotes de sumo) sentam-se, aos magotes, na secretária dos auxiliares de ação educativa (prefiro este designação), invadem as salas nos intervalos, alapam os pés em qualquer lado, dizem todo o tipo de palavrões, seja diante de quem for, e… (desculpem-me o termo) andam no marmelanço, cada vez mais despreocupados com o pudor. É a balbúrdia na quinta.
Convinha relembrar que, tal como o “produto” de um circo é a diversão, tal como o “produto” de uma cantina é a alimentação, tal como o “produto” de um hospital é a saúde, o “produto” da Escola é a educação. De vez em quando, convém fazer justiça a La Palice.

4 comentários:

  1. Sim, claro que pareces demasiado retrógrado, tipo démodé.
    Penso que não precisarás que te explique qual a diferença entre remédio e veneno. Sabendo-a, saberás também porque estás a dizer asneiras.
    Respeitosamente

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  2. Já estava a ficam com complexos de inferioridade, pensando que o Reitor não me considerava suficientemente idóneo para me vergastar, como tem feito com outros “bloggers” do professorado. Sinto-me, pois, promovido: pertenço ao grupo dos que têm arcaboiço para levar porrada. Sinto-me ainda mais honrado pelo facto de (tanto quanto sei) ser coisa muito muito rara ver o Reitor comentar num blogue.

    Reitor, esta reação tem também em consideração o artigo publicado no Da Reitoria.

    Na verdade, não me importo nada de ser “démodé”. Atualmente, como sabes, no que à escola diz respeito, é um enorme elogio. Quanto aos beijos, é óbvio que não me refiro nem aos de saudação nem aos de despedida, mas ao que vai para além disso. Concordo com o que dizes no teu blogue sobre os benefícios do beijo, mas também o sexo faz bem, muito bem mesmo! É excelente para a saúde física e psicológica. No entanto…
    Reitor, quando usei a palavra “marmelanço” sabia muito bem o que estava a fazer, pois é de marmelanço que se trata, e isso não pode ser aceite como normal dentro de uma escola. PONTO FINAL!

    RESPEITOSAMENTE, Reitor!

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  3. Excelente análise que subscrevo na íntegra.

    Isabel Fidalgo

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