quinta-feira, 13 de julho de 2017

Goodbye, Luís Costa!


A decisão está tomada: vou mudar de vida!
Uma década de luta, demasiadas bofetadas, demasiados pontapés, demasiadas mordidelas daqueles a quem quis dar a mão, demasiadas parcialidades, demasiadas perseguições… cuspidelas, escarradelas e algumas facadas no lado esquerdo das costas, com perfuração profunda. Só não me desgrenham os cabelos porque… não é possível. Para quê? Sim, já parti e regressei muitas vezes (e poucos acreditarão que tal não volte a acontecer), mas… um dia…  
Sei que há bloggers da Educação muito mais úteis ao professorado do que eu, mas poucos poderão dizer que são mais ousados, que combatem mais o medo, que encaram o monstro tão de frente. Não são tão quixotescos nem tão estúpidos! É por isso que sofro muito mais retaliações, granjeio muito mais inimizades, muito mais incompatibilidades… É por isso que me estou a transformar num nómada, enquanto outros, muito mais politicamente corretos, conseguem viver um quotidiano muito mais confortável e cordato.
O que mais me dói — bem lá nas profundezas da alma — são as dentadas daqueles por quem mais me dei, por quem mais me expus, por quem saí do meu castelo seguro e confortável, arriscando tudo, sem necessidade absolutamente nenhuma, sem interesse absolutamente nenhum, sem nenhum desejo de protagonismo, sem nenhum calculismo… apenas por solidariedade, apenas pelo sentido de justiça… por puro amor à classe, ao ensino, a uma das mais nobres missões do Estado. E como dou a cara e atuo só, absolutamente só — lá vem a metáfora do lobo solitário — sou um alvo muito fácil. Ostentar medalhas de parcialidade contra mim, impertinência contra mim, de maldade contra mim, de ostracismo contra mim… dá pontos na caderneta de certas simpatias, atrai certas sinergias e talvez algum bónus.
Se o concurso interno responder favoravelmente à minha (contraditória) vontade de sair da escola onde leciono, aproveitarei, de imediato, essa nau para me fazer a esse “prometido” mar pacífico (uma espécie de Ano Novo, nada mais). Vou às catacumbas, arrumo a armadura e penduro a espada. Se tal não acontecer, ainda haverá 0,1% de possibilidades de continuar por aqui mais um mês e pico (só por não haver premência).
Em qualquer caso, jamais deixarei de ser quem sou, embora deixe, em parte, de ser como sou. Serei a mesmíssima pessoa, mas não me levantarei para dar o peito por ninguém. Até aqui, cansei-me muitas vezes (o que abre a porta a um eventual regresso, após o descanso), mas agora estou efetivamente morto para altruísmos suicidas. No entanto, aqui fica uma certeza (importantíssima): jamais erguerei um dedo contra os meus colegas, nem mesmo contra aqueles que me mordem quando os beijo. É também isso que quero dizer quando digo que não deixarei de ser quem sou.

6 comentários:

  1. Beijo enorme, Amigo Meu que muito respeito.

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  2. Abraço! Um respeito enorme pelo teu silêncio!

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    1. Obrigado, Duilio!
      Agradeço-te, desde já, a divulgação que tens feito dos meus desabafos. Relativamente ao Eramá, foste, sem dúvida, a presença visível mais constante. Continuarei a acompanhar o Primeiro Ciclo.

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  3. Compreendo bem.
    Boa sorte, qualquer que seja o caminho.
    Um abraço.

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