terça-feira, 25 de julho de 2017

Resolvi não falecer



Ainda há no meu alforge alguns uivos por soltar, e quero soltá-los com rosto e com assinatura. Por outro lado, mantenho aquela sensação (megalómana talvez) de que, sem mim, esta coisa disforme a que sói chamar-se “luta dos professores” (não riam) fica demasiado mole, demasiado frouxa, sensaborona, nem carne nem peixe, nem preto nem branco… E também se dá a estranha coincidência de, na minha ausência (cacofonia voluntária) me acontecerem coisas terríveis, sucedendo algo muito similar à Escola Pública. É verdade (pelo menos a primeira parte)!
Quando desativei o Bravio, o servidor da minha escola começou a discriminar-me. Removeu-me do grupo que recebeu um e-mail muito importante da diretora, cujo objetivo era demover os professores de uma ação de solidário protesto que eu organizara. “Corrigido” o erro, eis que… nesse mesmo dia, horas depois, o raio do servidor voltou a ignorar-me, não me enviando outro e-mail dirigido a todos os que tinham subscrito o abaixo-assinado e no qual eu era visado, ainda que de forma subtil (aconteceu o mesmo com idêntica missiva enviada pelo presidente do conselho geral). Na passada sexta-feira (a mais de um mês do fim do vínculo), precisamente no dia em que me apresentei na escola onde fui colocado, o raio do servidor decidiu (assim, sem mais nem menos), desativar a minha conta de correio institucional. Perdi tudo o que lá tinha, e também fiquei impossibilitado de enviar aos meus colegas, de forma digna, alguns documentos importantes. Tive de andar a pesquisar no meu telemóvel e a pedir favores. Será que o servidor soube que eu fora bem recebido e que me sentira em casa? Será que teve ciúmes? Admito, mas escusava de escacar a louça toda, porra!
A nível nacional... quase a mesma coisa. Alguns bloggers (pegando em bandeiras que me são caras) desataram a falar do medo dos professores e do modo como são facilmente levados, enganados… O que é estranho, muito estranho, é falarem do medo a medo. Assim não se vai a lado nenhum. É preciso determinação, clareza, afirmação, posicionamento inequívoco, caros colegas: “Sou a favor disto!”; “Sou contra aquilo!”… Tibieza e bipolaridade a mais e ousadia e risco a menos. É por isso, só por isso, que outras classes profissionais vão ganhando e nós somos comidos, papados e gozados. Somos a vaca mansa do regime. Aos desistentes que estão nas escolas (a vastíssima maioria) dirigem-se as palavras hesitantes de quem prega. Ninguém liga aos professores, ninguém lhes pede opinião, nem mesmo em assuntos intimamente relacionados com a prática didática. Porquê? Porque no nosso lugar, dentro de nós, já não mora ninguém! Desistimos de ser quem somos para sermos quem os interesses instalados querem que sejamos. É lógico que não nos ouçam nem nos respeitem.
Como se isto não bastasse, certas figuras (negras, digo eu) voltaram à seara. É o caso óbvio do pai dos diretores, novamente acolitado pelos pais dos pais. Quer o ano letivo dividido em dois semestres. Ah ah ah! Enfim, é a visão administrativa, meramente administrativa, pauperrimamente administrativa… própria de quem está de fora. Não admira, pois, que outros forasteiros o apoiem (refiro-me a todos os que não trabalham dentro daquele cubinho mágico). O Lima está tão vidrado nesta nefasta fantasia, que até se esqueceu de que, ainda há dias, propôs ao Ministério do século XXI que não inventasse e que acabasse com os experimentalismos. Só ele é que pode. Mal por mal, prefiro que seja o Ministério a inventar!!! Os seus francoatiradores não têm a pontaria nada afinada.
Enfim, caros colegas (e não só), vim para apresentar reclamação por certas exéquias do meu suposto funeral.  As notícias da minha morte eram manifestamente exageradas.

7 comentários:

  1. O meu orgulho de ser professor apesar de abalado sente-se revigorado com este texto.

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  2. Estás a ficar quase tão lamechas como eu, Duilio! :)

    Obrigado!

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  3. Parece que quase morrer faz bem à saúde, não é verdade?
    Obrigado!

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