sexta-feira, 28 de julho de 2017

Toda a verdade sobre a minha decisão de mudar de escola


Resolvi publicar, na íntegra, a carta que escrevi aos meus colegas de escola para lhes relatar pormenorizadamente tudo o que acontecera na sequência das iniciativas por mim tomadas a propósito do já famigerado episódio do casal que invadiu uma sala, onde decorria uma aula de 5.º ano, para agredir barbaramente a professora. Como sabem, foram estes tristes acontecimentos que ergueram a minha vontade intransigente de mudar de escola.
O caso só tem interesse por ser revelador do domínio profissional, intelectual, cívico e pedagógico que muitos diretores exercem sobre os ex-colegas, mantendo o corpo docente debaixo de uma nuvem de medo, de intimidação e de castração das iniciativas e das liberdades individuais. Os professores, em muitas escolas (para não dizer na esmagadora maioria) estão subjugados às superiores vontades do chefe. Mas, tal como este episódio bem demonstra, têm muita culpa em toda a alienação reinante. E uma classe que assim se entrega, se rende e se demite, por muito que trabalhe, não sei se pode esperar ser respeitada, sobretudo porque não é uma classe profissional qualquer, é a classe que forma o futuro que queremos ser.
Nesta situação concreta, vivida na primeira pessoa, a diretora não gostou que os professores tivessem tomado uma iniciativa sem a consultarem primeiro (sem lhe pedirem autorização), e interpretou-a como um desafio à sua autoridade. Na verdade, o que eu fiz (às claras, diante de toda a gente) foi protegê-la, uma vez que, depois de tomar conhecimento da ação de protesto, apenas lhe competia informar os encarregados de educação de que os docentes, no quadro do seu direito e da sua liberdade, aceitando as consequências de tal ato, tinham decidido comparecer na escola no dia X, mas que não iriam cumprir o serviço letivo, como forma de protesto relativamente ao sucedido. A direção nem sequer tinha necessidade de dizer se aprovava ou reprovava tal iniciativa. Informava, para que a comunidade escolar pudesse tomar decisões. Mas o seu desgosto não se ficou por aqui: receou que tal ação trouxesse má fama à escola e (isto sou eu a supor) que a minha iniciativa, em ano eleitoral, tivesse outras motivações. Se o pensou, fê-lo indevidamente, pois tinha consigo a minha “carta de apresentação”, escrita há precisamente dois anos, na qual lhe disse, de forma clara e inequívoca, que jamais repetirei a experiência de dirigir uma escola.
AQUI ESTÁ, POIS, TODA A VERDADE SOBRE AS RAZÕES QUE ME “OBRIGARAM” A MUDAR DE ESCOLA.  
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Estimados colegas,
Face à missiva de que apenas ontem tomei conhecimento — quer da existência quer do teor — sinto-me obrigado a importunar-vos, uma vez mais, para que possais fazer um juízo correto relativamente ao que se tem passado, desde o dia 07 de dezembro. Sem o conhecimento cabal de tudo o que é relevante, não podereis julgar nem as minhas atitudes nem a expressão do meu rosto, nos dias decorridos entre a assinatura do abaixo-assinado e o dia de ontem.

CRONOLOGIA DOS ACONTECIMENTOS
1- Na quarta-feira, dia 07 de dezembro (dia da agressão à nossa colega), às quinze horas, quando chegava à escola, encontrei-me, no parque de estacionamento, com o nosso colega XXXXXXX XXXXX, Presidente do Conselho Geral, e com a sua esposa, também nossa colega. Em resposta a uma sugestão de comentário sobre os enfeites de Natal, apresentei a ambos a ideia da falta coletiva e do cancelamento das atividades natalícias. Ambos me manifestaram o seu acordo. O colega XXXXXXX XXXXX sugeriu mesmo que fosse eu a redigir o texto, e até me disse que nem precisava de ser eu o primeiro subscritor. A colega XXXXXXX XXXXX lembrou que o dia era propício para encetar essa ação, pois, dali a duas horas, haveria reunião de todos os grupos disciplinares.
2- Nesse mesmo dia, após o intervalo das dezassete horas, iniciei — de modo aberto, frontal e transparente — a divulgação da iniciativa. Numa das salas em que entrei, estava o senhor Presidente do Conselho Geral, em reunião de grupo disciplinar. No vasto conjunto de colegas com quem falei, apenas duas professoras contratadas me manifestaram a possibilidade de não aderirem à “greve de zelo”, por questões contratuais, dada a importância que pode ter um simples dia para efeitos de concurso. Apesar de não ter escondido de ninguém a possibilidade real de uma falta injustificada (menos provável, se a adesão fosse em massa), todos me deram alento para continuar e todos os grupos concordaram que fosse eu a redigir o documento.
3- No dia 08 de dezembro, feriado nacional, a Diretora da escola escreveu aos professores, para os pôr ao corrente das diligências que estava a tomar. Não recebi nem tive conhecimento deste e-mail. Ao fim da manhã, tal como havia prometido a todos os colegas, enviei a proposta de abaixo-assinado e aguardei, até ao fim do dia, sugestões de alteração/correção. Apenas recebi um e-mail da nossa colega XXXXXXX XXXXX, a dizer-me que, de acordo com o combinado, tinha enviado o documento a todos os coordenadores e à Diretora. Disse-lhe que fizera muito bem.
4- No dia 09 de dezembro, sexta-feira, já não sei se no final do turno da manhã, se no início do turno da tarde (tantos foram os colegas com quem falei), encontrei-me, casualmente, a sós, na sala de professores, com a colega XXXXXXX XXXXX, que me disse que não assinaria o documento, pois tinha sido sensível ao conteúdo da missiva que a Diretora, no dia anterior, tinha enviado a todos os professores. Fiquei estupefacto, não pelo livre posicionamento da colega, como é óbvio, mas por não ter recebido a mensagem. De imediato, constatei que essa lacuna não era pontual, que já se existia desde praticamente o início do ano letivo. Certamente, uma falha processual (que todos os seres humanos, involuntariamente, cometem). A colega prometeu averiguar a anomalia e corrigi-la imediatamente, caso a sua existência fosse confirmada.
5- Após o intervalo das quinze horas, desloquei-me à Direção para entregar o documento, que tinha sido assinado por 41 docentes, embora já com duas desistências (duas assinaturas rasuradas). Estavam, portanto, um dia após o envio da missiva da Senhora Diretora, 39 professores dispostos a concretizar o exposto no abaixo-assinado: comparecerem na escola, mas não cumprirem o serviço letivo. Como a Dr.ª XXXXXXX XXXXX não estava, entreguei o documento ao seu adjunto, o Dr. XXXXXXX XXXXX, que me recebeu de forma muito simpática e fraterna. Perguntou-me se estávamos conscientes da possibilidade de uma falta injustificada. Respondi-lhe afirmativamente e acrescentei que a Direção, se tal viesse a verificar-se, estaria apenas a cumprir a sua obrigação. Ninguém poderia ficar melindrado.
6- Às dezasseis e trinta, uma vez que a primeira versão do abaixo-assinado tinha sofrido algumas alterações (ainda que ligeiríssimas e apenas na forma, não no conteúdo), não coincidindo, por isso, com o documento efetivamente subscrito, enviei um novo PDF à colega XXXXXXX XXXXX, pedindo-lhe que o reenviasse, tal como fizera no dia anterior, a todos os coordenadores, para estes o fazerem chegar a todos os docentes. Disse-me que não o faria, que não participaria mais em tal processo e que o fizesse eu mesmo.
7- Pouco depois das seis e meia da tarde, ainda de sexta-feira (18. 42 h), a colega XXXXXXX XXXXX, cumprindo o prometido, reenviou-me os e-mails que a Dr.ª XXXXXXX XXXXX dirigira, no dia anterior, a todo o corpo docente e aos representantes dos encarregados de educação. Disse-me que o meu contacto tinha sido acrescentado ao grupo e que o problema estaria, em princípio, resolvido. Caso notasse alguma falha, que a contactasse.
8- Nesse mesmo dia, ao início do serão (21.25 h) a Diretora enviou novo e-mail aos professores. Apesar das diligências feitas, três horas antes, pela colega XXXXXXX XXXXX , não recebi essa missiva.
9- Durante o fim de semana (dias 10 e 11 de dezembro), recebi vários e-mails de professores que entenderam dever dar-me uma palavra sobre a sua desistência da ação. Todos afirmaram terem sido sensíveis às palavras que a Diretora dirigira ao corpo docente, especialmente às medidas que estava a tomar. Pensei sempre que se tratava do conteúdo do e-mail que a colega XXXXXXX XXXXX me reenviara, na sexta-feira, ao fim da tarde.
10- No sábado, tomei conhecimento, porque uma colega o mencionou no seu e-mail, de que também o Sr. Presidente do Conselho Geral havia escrito aos professores da nossa escola. Não a todos, uma vez que eu não recebi tal missiva. Admito que o tenha enviado apenas aos coordenadores ou que o meu endereço, por lapso, também não esteja no seu grupo de contactos.
11- No domingo, dia 11 de dezembro, resolvi pesquisar, pelas assinaturas, o endereço eletrónico institucional dos subscritores, e enviei-lhes o documento por eles assinado (como era meu dever). Limitei-me a explicar a razão pela qual lhes enviava a versão final do abaixo-assinado e a dizer-lhes que, no dia seguinte, estaria na escola para cumprir o que havia sido acordado.
12- Na segunda-feira, dia 12 de dezembro, cumpri escrupulosamente o que consta no abaixo-assinado. Apenas a colega XXXXXXX XXXXX me acompanhou no protesto, evitando, com a sua determinação, que eu ficasse absolutamente só. Não esquecerei jamais o gesto desta minha conterrânea.
13- Durante toda a semana, como um anjinho, a todos mostrei rosto sorridente, sem sombra de recriminação (nem exteriorizada nem sentida). Por certo, muitos me terão interpretado mal, julgando que eu não me tinha sentido absolutamente nada melindrado com o teor do segundo e-mail da Senhora Diretora, que, habilmente, falou do «derrubar de uma grande escola que tantos, durante tanto tempo e com tanto esforço conseguiram edificar»; que, habilmente, referiu a «alegria de quem procura o escândalo», que não deve ser «alimentada pelo prejuízo do bom nome XXXX XXXX».
Não, colegas, se eu tivesse tido conhecimento desta missiva, embora continuasse a não vos censurar, não vos teria oferecido um rosto tão jovial.
14- Só ontem, sexta-feira, dia 16 de dezembro, a meio da manhã, em conversa fortuita com uma colega, fiquei a saber que havia sido enviado um segundo e-mail. Genuinamente admirada pelo facto de eu não o ter recebido, prometeu enviar-mo durante a tarde. Foi o que fez, tendo também tido a generosidade de me enviar a missiva do Senhor Presidente do Conselho Geral. Li os dois textos enquanto fazia tudo para encontrar o carteiro que deixara, durante a manhã, um aviso para eu ir aos CTT levantar uma carta registada, enviada pela Escola EB 2/3 XXXX XXXXX. Era, soube depois, a notificação da minha falta (justamente) injustificada. Fiquei revoltado, não com a injustificação da falta, como é óbvio, mas com a literatura que, momentos antes, acabara de ler.
Sou um professor vulgaríssimo, um simples professor que, no quadro das suas limitações, faz diariamente o seu melhor. Não desempenho (nem quero desempenhar) nenhum cargo na escola, do mais modesto ao de maior responsabilidade. Não tenho, tanto quanto julgo saber, esse poder de derrubar o que, a muitos, demorou tantos anos a construir. Excetuando as minhas humanas incompetências, não vislumbro em mim tamanho poder deletério. Ainda assim, admito que a minha presença — pelo meu caráter, pela minha forma de estar e de ser, pela minha frontalidade, pela força das minhas convicções e pela intransigência dos meus princípios — possa perturbar o são e frutuoso equilíbrio em que a escola tem vivido. Por isso mesmo vos comunico que, após o próximo concurso interno de colocação de professores (que está para breve), deixarei a Escola XXXX XXXX.
Quando a notícia da minha saída for conhecida, repetir-se-á, uma vez mais, a cadeia difamatória injusta: antes mesmo de eu me apresentar na nova escola, já alguns dos meus futuros colegas julgarão conhecer-me, porque o mesmo tipo de gente que, num passado próximo, tratou de semear receios, preconceitos, distâncias, friezas e más vontades, vai continuar a estender-me a passadeira negra. Eu continuarei a ser o mesmo, aquele que vós (agora) conheceis: autêntico e solidário. Permanecerei discreto até ao dia em que uma crise se abater sobre alguém. Nessa altura, erguer-me-ei como um lobo e darei o corpo às balas. Depois, ficarei novamente só, e terei de beber, novamente, todos os cálices de fogo. E terei, uma vez mais, de ir embora, por se me tornar o chão insuportável. É este o fado dos homens como eu, mas também é este (não sei se feliz ou se infelizmente) o miolo que faz a textura de quem escreve ou sonha ser escritor.
Na verdade, foi em mim que os encarregados de educação vieram bater.
Com todo o meu respeito,
Luís Costa

19 comentários:

  1. O objetivo do modelo da figura do Diretor foi acabar com a democraticidade da gestão, tornando os professores meros executores de políticas, com as quais podem não concordar, e alguns não se importam nada. Na nomeação de cargos, só amigos, alternância? hipóteses? ouvir quem está no terreno?: zero. A maior parte dos diretores adorou e abusou dos novos poderes.

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    1. Nem mais, Duilio! Mais logo, se tiver tempo, tentarei antecipar o que, na minha perspetiva, a municipalização das escolas vai acrescentar a este quadro deprimente.

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    2. Uma pergunta ingénua, Porque raio não se identificou a escola?

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    3. Não foi minha intenção visar a escola (enquanto caso particular tem pouca relevância), mas expor uma situação vivida na primeira pessoa e que pode ter interesse geral, por ser representativa do estado a que chegámos.

      Quem acompanhou o Bravio e/ou o Eramá sabe muito bem onde lecionei nestes dois anos.

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  2. Compreendo perfeitamente o que sente. Também eu sofro desse bem( para alguns certamente será um mal) da frontalidade. Infelizmente em algumas escolas o que vê são situações idênticas a essa, que em nada dignificam a nossa classe e que com recurso ao medo a vão minando. Boa sorte colega, que seja bem acolhido para onde for.

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    1. Estou consigo Luís! Como diz a colega, também sofro desse bem! 😊 Boa sorte! Um bem haja à colega que ficou do seu lado. Tenho conhecido tantos cobardolas por aí...

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  3. Admiro e identifico—me com a sua postura. Infelizmente ambos sabemos o que ganhamos com essa frontalidade e sentimento de fazer justiça. Também sabemos que não conseguimos ser de outra forma. Espero que esta mudança seja positiva. Boa sorte.

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    1. Obrigado, Carla!

      A minha nova escola pode contar com toda a minha dedicação (a 120%), com todo o meu profissionalismo, com toda a minha lealdade, com toda a minha solidariedade, com toda a minha frontalidade, com toda a minha sinceridade, com toda a minha imaginação... Dar-me-ei por completo, se me permitirem. Quero ser uma mais-valia naquela instituição.

      No dia 1 de setembro, porei todos os contadores no zero.

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  4. Viva, Luís Costa! Li o teu texto atentamente e sem espanto. Sem espanto principalmente pela cobardia demonstrada por colegas, por professores que parecem aspirar a passar entre os pingos da chuva, incólumes, com deus e com o diabo. Sempre foi assim. Talvez tenha piorado, mas sempre foi assim. Eu própria tive um caso com um dos raros directores de escolas à época em que, em reunião geral de professores (éramos mais de 200!) permitiram que eu ficasse sozinha a defender-me perante os ataques inacreditáveis daquele director à minha pessoa e ao meu profissionalismo. Ahhhh... e depois daquele circo acabar ainda houve quem tivesse a lata de me dar palmadinhas nas costas e dizer-me "Apeteceu-me bater-te palmas" quando eu só ouvi um silêncio avassalador. Temos o que merecemos, meu amigo, enquanto classe. Deixemos-nos de subterfúgios. Ah! O meu caso acabou com o tribunal administrativo a dar-me razão e o meu director a ter, por ordem de 3 juízes!, 6 anos depois!, de me limpar uma falta injustificada do meu currículo. Mas jamais esquecerei que mais de duzentos professores se acobardaram perante o todo poderoso naquele dia. Esse foi mesmo o meu maior desgosto. Porque me tirou a inocência face a colegas que estimava. E confesso-te, doeu-me de caramba! Sempre que leio uma história como a tua, desde aí, leio-a sem espanto e com redobrado desgosto. Mas com a certeza que eu/tu estamos certos e todos os outros errados. O que parece paradoxal... mas não o é. Beijo enorme, meu Amigo! Gostaria de te ter na minha escola porque a deixarias incomensuravelmente melhor. Deixo-te somente o link de uma sem vergonhice que se passeou pelos tribunais 6 anos e ocupou recursos... como se este país não tivesse coisas mais importantes que resolver! :( http://www.dgsi.pt/jtca.nsf/170589492546a7fb802575c3004c6d7d/dc460d512e8692298025718d0037efb3?OpenDocument

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    1. Posso vestir quase todo esse fato. Só ainda não fui a tribunal, de resto... a papel químico (sobretudo na última década).

      Um grande abraço, minha amiga!

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    2. Li o acórdão. Os nossos casos são muito diferentes, embora a má vontade seja exatamente a mesma, própria de quem está à coca de uma oportunidade para ajustar contas.

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    3. Sim, bem diferentes mas não na cobardia. E olha, eu estava tolita... não é que escrevi deixesmos-nos!? Cum catano! Estou a precisar de férias!

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  5. Ao longo destes últimos anos, cheguei à conclusão de que dos conteúdos funcionais dos diretores e dos seus satélites constam a baixeza moral e ética, a difamação, a inveja, o uso discricionário do poder... Como o compreendo, caro colega Luís Costa! A minha solidariedade para consigo é imensa. Vivemos tempos difíceis caracterizados por uma ditadura com capa de democracia. Infelizmente!

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  6. Infelizmente, apesar das exceções (que sempre existem), é uma autêntica epidemia.
    Obrigado, Alguém!

    Abraço!

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  7. Solidária contigo.
    Sofri e sofro do mesmo.Isto de pensarmos pela nossa cabeça e tomarmos posições em conformidade,faz e fará de nós ovelhas negras. Antes isso!
    Beijo

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