quinta-feira, 6 de julho de 2017

Um banquete de tristeza, por favor!



Repugnante (e insidioso) conceito de autonomia, aquele que é mensurável, quantificável, passível de ser representado numa percentagem de um currículo. É essa a autonomia com que nos iludem? É essa farsa de autonomia que nos cega? Tristes de nós, se não vemos!
Enquanto nos regozijamos com percentagens (ou com mais minutos aqui, menos minutos ali), todas as nossas muralhas, todos os nossos castelos estão a ruir. Os profetas das novas e flexíveis autonomias (e os apóstolos que entre nós espalham a sua palavra) anunciam tempos nus, novos templos onde cada um de perde praticamente todos os baluartes da sua autonomia pedagógica e não vai poder decidir praticamente nada. Tudo nos vai ser imposto, desde a planificação à avaliação, passando, como é óbvio, pelo ato pedagógico por excelência. Aos parvos, dizem que é partilha, articulação, mas não passa de esmagamento profissional. É o fim (absoluto) dos pedagogos, o limiar de uma nova era: a do operariado letivo.
Hoje estou especialmente triste! Mas o que mais me entristece não é ver prosperar os extraterrestres que nos controlam, que nos exploram e exaurem a Escola Pública; o que mais me entristece é ver tanta penumbra, tanta cegueira e tamanha rendição entre aqueles que deveriam ser luz e dar luz. 

2 comentários:

  1. Verdade.
    Flexibilizações, autonomias, municipalizações, transversalidades e autonomias pedagógicas, espartilhadas em decretos e despachos, vão-nos transformando em "operariado letivo".
    Um operariado lectivo que, supostamente, deve motivar os alunos para o espírito crítico e a cidadania.

    Almeje-se mais e avance-se para o séc XXIII - o da robótica, eliminando-se até o oerariado lectivo.

    ResponderEliminar
  2. Só não o fazem já porque os operários ainda vão servindo para guardar as crianças.

    ResponderEliminar